quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A parede

E então, quando já consciente sob medida
Ainda sim continua a cair no abismo profundo
Catando as estrelas por menores esfoladas
Imaginando ser o guerreiro solitário do mundo

Já não percebe mais sua própria arritmía
Um descompasso acelerado de loga outrora
Um desejo desenfreado para toda essa partida
A certeza eterna da sua fugacidade sofrida

Passa o tempo e o tempo corre de sua sombra
Foge com as nuvens de desenhos tortos
Num céu que já foi diferente dessa mísera sobra
Cavalga esse nômade de decisões impiedosas

Vacilante se depara com a estranha parede de vidro
Ali lisa, limpa, clara, rasa, transparente
Não há passagem. Não agora. O coração não retarda
A batida é firme, profunda, apertada

O desespero não é pai da verdade agora
Já que essa saída que procura vai além da calma
É a sabedoria das perspectivas dessa parede
Misteriosa e temerosa, mas que não reflete pegadas.



Vitor "Bardo" Ventura.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Marcas

Pois bem, se não me faz acreditar
Pois, então, não me deixa em paz
Talvez esta sorte que foge assim
Seja a felicidade que desbanca a democracia

Eu fiz de mim um universo paralelo
Avesso ao que se encontra por ai
Anestésico como a fisgada de um braço
Que eu já não tenho mais

Mas seria toda dor de todo mal?
Teria ela um caminho a mais?
Aprendi que toda a ferida deixa uma cicatriz
Vou comemorá-la!
Pois a dor tem vida curta
Mas as marcas tatuam os sábios que flutuam na eternidade.


Vitor "Bardo" Ventura

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Lídimo

Às vezes toda fantasia
não se parece nem com uma estreita
e fugaz realidade.
O que encontra-se dentro de mim,
pode, porventura, parecer tendenciosamente melancólico.
Porém não é mundo, nem utopia.
E sim uma verdade. Confinada, pura e exilada.
Hoje ela separa a tristeza da alegria.
Amanhã, lídima, unirá meus olhos ao coração.





Vitor Ventura

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Descaminho

Ele chegou assim
Como quem queria de mim
Descobrir o mundo
Quem usou a quem
Esqueceu-se também
De avisar ao coração

Sem caminho, um outro dia,
Na minha porta bateu
Arrepiou-me a nuca
Mas meu ego és minha culpa
E meu coração é dolo seu

E verdades contou-me
Porém a vaidade deixou
Escapar-me a visão enxuta
Pois meretriz foi minha decisão
E injusta minha falsa nova paixão

Hoje me pego com outro alguém
Que eu não sei de onde vem
Que não sei quando vai partir

A mim ainda sinto quente
As suas mãos em meus seios
A sua boca, meu anseio
Seus músculos, meu desafinar

E então no ápice da paixão
Uma alma já fundida
Encontrou o descaminho
Em minha razão.
Digo, em minha ilusão!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Vislumbre

Enfim eu percebo
Que quanto mais o tempo passa
Mais a distância entrelaça
Meu coração no seu

E bagunça
Minha paixão aguda
Talvez prematura, mas infantil
Por ser inocente e pura
Aos olhos meus

Talvez esse silêncio,
Em particular, não queira falar
Talvez vosso calar
Não seja ironia

Mas se um dia
Eu puder te beijar
E mais uma vez
Sentir o infinito do teu mar
Me deixarás atracar
No porto da tua alma

Não!
Não me faça deixar escapar
O que em mim já é nó cego
O que já é fato consumado

Apenas quero o aval
Para amar
E a graça de ser amado
Na ordem de sua sutileza
Por você e com você.


Vitor Bardo Ventura