quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Nas trincheiras

Somos reféns de nossas virtudes
Quando o que era dádiva se torna um fardo
A alma perde o parâmetro
E a paz torna-se guerra.



Vitor "Bardo" Ventura

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Suplício da Quimera


Perdoe-me Senhor pelo egocentrismo excêntrico
Perdoe-me Senhor por julgar sem nem mesmo conhecer
Perdoe-me Senhor por não chorar a morte do meu parente
Perdoe-me Senhor por não ter dividido o pão quando necessário

Senhor, perdoe todas as mentiras nocivas que um dia falei
Senhor, perdoe as inofensivas também
Senhor, perdoe a dor que um dia desperdicei
Senhor, perdoe as lágrimas que fiz derramar por pura insensatez

Perdoe-me Senhor por sorrir sem sentir nenhuma emoção
Perdoe-me Senhor pois já me senti mal com a felicidade alheia
Perdoe-me Senhor por nunca ter aprendido direito a pensar
Perdoe-me Senhor por não ter memória

Perdoe-me Senhor por jamais ter contado de fato uma história
Perdoe-me Senhor pelo olhar do cego que outrora ignorei
Perdoe-me Senhor pelo Amor que de fato nunca dei

Senhor, nos perdoe! 




Vitor "Bardo" Ventura

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Gira mundo. Mundo, gira!

Os olhos, o brilho
O sorriso, a expectativa
A imaginação, a excitação
O medo, o calar
O toque, a emoção

Um sim? Um não!
A decepção, a solidão
A reflexão, o encontro
A cicatriz, a lembrança
A força, a esperança

O renascer, a glória
A beleza, o agora
A fraqueza, a dor
A amizade, a manobra
O espelho, o amor

De dentro pra fora!

A imaginação, o brilho
O sorriso, a excitação
Os olhos, a expectativa
O medo, a emoção
O toque, o calar

À decepção, um não!
Um sim? O encontro
A cicatriz, a esperança
A reflexão, a solidão
A força, a lembrança

O espelho, o agora
A beleza, a dor
A amizade, a glória
A fraqueza, o amor
O renascer, a manobra

Todos os dias, todas as horas!


Vitor "Bardo" Ventura.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O Grande Encontro.

Desperta-te!
Ainda inúmeras vozes ecoam dentro da minha cabeça. Já não conseguia lidar com tamanha confusão, mas não me arrependo. Não, não! No meio dessa multidão toda, eu me encontrei! E foi um encontro de tamanha felicidade que a ficha ainda não caiu!

- Rosa! É você? Quanto tempo! Você continua linda! Como consegue se manter por todos esses anos? Que maravilha! - E assim nos colidimos passados 10 anos. Os olhos dela pareciam não acreditar, como os meus!

Não, não. Não se engane. Essa foi uma outra convergência. Compreenda-me!

Qual a dificuldade de encarar esse mundo encarando a si mesmo com um sorriso largo? A vida é sua postura para com ela. Enfrente-a de forma positiva, lidere-a, mas a respeite também, acima de tudo. Ajude a se ajudar a ser uma pessoa melhor a cada dia.
Pegou? Reflita antes. Não descarte. Não agora. Apenas se for necessário. Se não for, abrace!
Minha cabeça é um turbilhão de pensamentos que não se encaixam em nada com o que deveriam. E deveriam? Fere e cicatriza. Não sei se estou no espaço/tempo errado, ou se o espaço/tempo me preteriu. Não sei se sou, sequer! Mas ainda assim já estou muito satisfeito com o que penso ser. Espera! Não estou satisfeito. Sempre podemos mais. Mas chega! Não, não chega não. Nem chega a hora de parar. Não para, é muita coisa. E esses diálogos infinitos? E essa pressa desenfreada para saber o caminho certo? Será que existe, realmente?

- Seja sensato!! Mas seja louco também. Seja um louco sensato! - Foi o que ele me falou, mesmo antes de me cumprimentar,com o dedo em riste na minha cara. Precisava ser incisivo!
Em um mundo de sanidade e insensatez, a bondade assusta!

Já me cansei... O especular de mim mesmo me cansa. Já vivi essa vida inteirinha todos os dias. Caminho e volto. Caminho e volto. Até achar o correto preciso de mais vidas. Já casei, já constituir uma família, já morri. Nasci novamente. Todo dia é um novo nascimento. O conhecimento nos proporciona a eternidade. O raciocínio nos ludibria com imperecíveis devaneios. Quero morrer afogado no encontro desses mares infinitos. Pronto, está aí uma morte justa!
Então me entrego e seja o que vier. Venha o que for. Já que me encontrei, irei de mãos dadas comigo mesmo. Não há mais medo. Agora posso compartilhar minha felicidade. Agora ela é real.

- E você já casou? Tem filhos? Como anda sua vida? - Ainda de olhos abertos de surpresa ao ver minha querida Rosa.
- Nada de impossível aconteceu na minha vida. Nada de extraordinário. Vivi na forma, na métrica e na semântica. Eu vivi o parnasiano. Mais uma engrenagem nesse mundo. Cartesiana segui. Eu vivi sem você. Isso é bom? Talvez! Ninguém conseguiria o contrário, certo?
- Sinceramente, não sei. E não me incomoda não saber. Incrivelmente, não me incomoda.

Atrás de toda dor existe um bocado de saber. Mas saber não é conhecer, como já diria um velho novo doutor.

- Não solte minha mão!
- Mas você precisa ter liberdade. Você é liberdade. Sempre lutou por isso e morreu defendendo várias vezes. Que vida é essa a sua? Seria a milionésima sexta? E agora que me encontrou, e conheceu, está com medo?
- Mas és tu minha visão periférica! Não sei viver em soslaio. Não mais!
- Mude seu campo de visão. Você pode caminhar de olhos fechados se abrir as portas da percepção. Apenas deitarei na sombra desta árvore para contemplar a paz por mais um instante. Acompanhe-me, se preferir.

A vida corre. O tempo está ao lado dela. Mas e do seu sonho?  Do lado de fora? Abra logo essa porta! Aproveita e abre a janela também. Deixa o sopro da vida circular a vontade. Tudo fica mais claro e belo.

- Fora, fora! Agora! Já que não consegues me fazer feliz, suma da minha frente!
- Mas quem tem que te fazer feliz é você mesmo.
- Você não fala nada sobre você. O que você é? O que você fez ou fará? Convivo com um estranho?
- Nunca falarei. Seria um grande tédio para mim e para você. Minha opinião sobre mim mesmo é apenas mais uma entre bilhões. Eu sou o que cada um vê. Logo sou bilhões também. Não me resuma. Isso não é liberdade. E é injusto!

(Não se engane novamente. E me desculpe, parece brincadeira mas não é! Voltemos...)

O suor já escorre pelo meu corpo. Toda a energia negativa se foi com ele. Todo o medo! Todo o medo! Todo o medo! "Aaarrrrrhhhh" rasga essa capa de couro.
Ufa! O coração está aberto novamente. Não tinha zíper ou botão. Fico imaginando como consegui fazer isso. Tive que arrancar todas as unhas dos meus dedos!
Alívio.
O sofrimento não será mais. A ansiedade não será mais. A tristeza não será mais. O arrependimento não será mais.
Continuei... Felicidade não será mais. Amor não será mais. Um beijo não será mais.
Não será mais um só.
Tudo isso será uma Vida.
Peguei-me no caminho novamente. Encontrei um rio de águas mansas e continuas. Vi pessoas boiando e seguindo seu fluxo. Pareciam estar felizes. Pareciam. Eram muitas. Incontáveis. Alguns tentaram a margem, mas não conseguiram. Já desaprenderam a nadar. Os músculos das pernas e braços parecem atrofiados. Ainda assim pareciam felizes!
Mas quer saber? Não sinto mais tanta dor nos pés. Toda pedra não será uma pedra. Ela é minha irmã. Estamos unidos. Tudo é uma coisa só!

- Olha! Aprendi a contemplar também. Essa paz, esse caminho, nosso encontro... Tudo isso está sendo uma grande festa!
- Não te falei? Temos que contar para o mundo! - Disse-me em gargalhadas brilhantes de cores vivas!

Vitor "Bardo" Ventura.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Sonho pelo Avesso

Nas incertezas penosas dos dias de agora
No raso profundo em que imerge o mundo
Na mentira secreta que se espalha a cada instante
Nos muros invisíveis da proteção, que reprime e involui

Na raridade do sorriso que abraça
No hoje impossível abraço que beija
De todas as dúvidas que uma resposta basta
De todo não que um sim deseja

Na brevidade de um amor eterno
Nas juras diárias de nem mais um trago
No brilhantismo das mentes vegetativas
Na evolução de artefatos, buchos e nada mais

Na inveja mascarada que apoiamos e nos sustenta
Na reza e querer bem que o ato não acompanha
Na noite mais escura que um dia seja
E em cada mentira que a verdade se fez

Recordo-me com mais clareza dos meus sonhos
Que dos hodiernos segundos vividos.

(Vitor Bardo)

terça-feira, 15 de outubro de 2013

O âmago da vida

Não consegues perceber onde se encontras?
este é o enígma, o âmago da vida!
Aquilo que tudo em ti pode desfazer
ao instante que te faz erigir! 

Não sentes nos embaraços dos espelhos
Ideias que 'enrugueceram' e não as reconhecem mais?
Nem um traço da pureza de outrora,
Nem a dureza da entrega dos findos tempos porvir?

Finte nos seus olhos rudes redemoinhosos
um relance de tudo que foi e não regressa mais.

Ahhh coisa impiedosa!!
Roga-me pra voltar, quando adstringe-me sem perdão.

O que mais posso fazer se você já é a essência de mim mesmo?
De mãos atadas, só resta-me seguir.

Quando posterior, outro impiedoso zela-me.
Mas digo-o, sem medo! Eu tenho três certezas na minha vida:
Ela mesma, o tempo e a morte!!

Uma vida que é presa no tempo terno
Um Tempo Eterno que rege a Vida
E uma vida que não evade da Morte

Ohh âmago perfeito que aduze-me a finitude
Estafaria-me uma eternidade corrida
Espantaria-me uma brevidade sofrida
E me desapontaria a certeza da exata hora de partida!

És sábio!
És tudo!
Tudo em mim,
é o Agora!


Vitor "Bardo" Ventura




terça-feira, 21 de agosto de 2012

Liberdade

O amor não é tudo, pois tudo já se perde
Na imensidão relativa de cada ser.
O amor não é parte ou face de um estandarte.
A exclusividade impregna o mau poder.

Então, o que em mim basta é a liberdade.
Liberdade de amar, esta sim me traz prazer.
Pois então Morena, cante comigo: "Liberdade."
Sim, Liberdade!
Talvez se repetir te consuma de querer.
E a mim, a mesma vontade. Sem rima
Forma, métrica, fala, amor pontuação