quarta-feira, 4 de abril de 2012

Realidade morta.

As pessoas pensam que o Sistema é um monstro que chegou aqui nesse planeta depois de uma viagem intergaláctica. A verdade é que o Sistema é um produto do homem, e sendo assim, se ele é ruim, é porque no fundo o próprio homem é essencialmente ruim. Pode parecer um tanto quanto pessimista, mas eu já perdir a esperança em nossa raça. Todo os dias nós nos decepcionamos com nós mesmo. Todo dia choramos com a desgraça alheia, porém todos os mesmos dias fazemos outros de nós chorarem pela nossa falta de trato e de amor.
É angustiante notar as pessoas querendo ver a mudança do todo sem nenhum esforço para fazer mudar as partes, a si mesmo. É angustiante você notar e comprar a idéia de o homem, em si, ser um animal com tendências ruins, corruptíveis, egoístas e intolerantes. Mesmo sendo uma espécie de tamanha evolução e dicernimento. É dificil porque ouvimos a vida toda o contrário, queremos acreditar no inverso, mas é só essa realidade que vemos, sempre.
Espero que em um determinado momento, cada um possa olhar para dentro de si, e perceber o quanto estamos e somos nocivos para nós mesmos. É o primeiro passo.
Que os religiosos busquem o melhor nas melhores palavras sagradas, no amor e nas qualidades que o Deus deixou em suas escrituras. Que não seja apenas da boca pra fora, que não seja até onde o interesse governa.
Que os não-religiosos ou ateus, como eu, busquem o melhor na auto-avaliação, na busca pela empatia e valores humanos do bom convívio e amor.
Eu, por enquanto, sigo em busca e caminho com a exceção.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Tiro curto!

Conheço essa apreensão no seu olhar
E por esta razão, esquivo-me deste seu
discurso utópico, morno e desesperado.
Pois não há palavras bem ditas
Nem poesias deveras bonitas
Vindas de um coração apressado.


Vitor 'Bardo' Ventura

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Compreenda-se

Muitas pessoas tentam interpretrar ou conceber a felicidade de outrem. Pessoas presas nas amarras justas e perniciosas da etiqueta social. Pessoas que apenas carregam o fardo do medo do fracasso, do medo de sua projeção à sociedade. E o medo não é virtude, não é proteção. Medo é fraqueza. Apenas isso. Mas essas pessoas insistem em reduzir a felicidade a uma prestação de contas. Porém a felicidade não é rasa para se exprimir em palavras, não é tão vaga para que se possa ser representada por diplomas e contra-cheques e tampouco vulgar para ser imitada, herdada ou absorvida por uma cultura coletiva, seja esta familiar ou não.
A felicidade é uma energia. Ela é notada através de um sorriso, um olhar, um gesto... A postiça é aquela que chega com palavras que parecem facas vestidas de fantasmas bizarros feitos de lençóis brancos encardidos.
Então invente sua própria história, se for possível diga não aos modelos padrões que te vendem por ai. Diga não a cultura injetada na sua cabeça feito um chip alienígena em uma abdução de filme de ficção. Procure o que há de verdade dentro de si, e se pergunte se o que te faz sorrir é o que realmente te faz feliz. Este sorriso é mesmo seu ou de outro alguém?
Aprendi a entender o que é alívio, aprendi a respeitar o prazer intrínseco do semelhante e a seperar a obrigação da satisfação.
Mas para respeitar o meu tempo e o seu, o questionamento mais importante é: Você tem a real concepção da felicidade ou está apenas prestando contas?

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Desatino

Olhe nos meus olhos perdidos
E diga que tudo foi em vão
Que nunca houve pura paixão
Além daquele apego carnal

Encara-me novamente, mas sem suor
Pois a mentira vem com a hesitação
Mesmo se toda a intenção for a melhor
De não querer ferir a um coração

Encoste sua boca nesta minha
E mostre-me que nunca inclinou
Para beijá-la com a vontade
De tomá-la de vez para ti

Diga-me agora de uma vez por todas
Que de noite nunca chorastes por mim
E sendo cada afogo uma lástima falta
Sonhaste então agarrada com a saudade

E se rasgava e consumia de todo prazer
Imaginando-me ali até chegar a aurora
E te despertar num sufocante desgosto
Levando-me ainda no arrepiar dos cabelos

Diga! Sim! Diga...! Melhor, não diga nada!
Pois a verdade pode doer muito mais
Do que mil lágrimas aqui derramadas
Que meu pranto é capaz de suportar.

Encontro-me maior neste desatino!



Vitor "Bardo" Ventura

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A parede

E então, quando já consciente sob medida
Ainda sim continua a cair no abismo profundo
Catando as estrelas por menores esfoladas
Imaginando ser o guerreiro solitário do mundo

Já não percebe mais sua própria arritmía
Um descompasso acelerado de loga outrora
Um desejo desenfreado para toda essa partida
A certeza eterna da sua fugacidade sofrida

Passa o tempo e o tempo corre de sua sombra
Foge com as nuvens de desenhos tortos
Num céu que já foi diferente dessa mísera sobra
Cavalga esse nômade de decisões impiedosas

Vacilante se depara com a estranha parede de vidro
Ali lisa, limpa, clara, rasa, transparente
Não há passagem. Não agora. O coração não retarda
A batida é firme, profunda, apertada

O desespero não é pai da verdade agora
Já que essa saída que procura vai além da calma
É a sabedoria das perspectivas dessa parede
Misteriosa e temerosa, mas que não reflete pegadas.



Vitor "Bardo" Ventura.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Marcas

Pois bem, se não me faz acreditar
Pois, então, não me deixa em paz
Talvez esta sorte que foge assim
Seja a felicidade que desbanca a democracia

Eu fiz de mim um universo paralelo
Avesso ao que se encontra por ai
Anestésico como a fisgada de um braço
Que eu já não tenho mais

Mas seria toda dor de todo mal?
Teria ela um caminho a mais?
Aprendi que toda a ferida deixa uma cicatriz
Vou comemorá-la!
Pois a dor tem vida curta
Mas as marcas tatuam os sábios que flutuam na eternidade.


Vitor "Bardo" Ventura

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Lídimo

Às vezes toda fantasia
não se parece nem com uma estreita
e fugaz realidade.
O que encontra-se dentro de mim,
pode, porventura, parecer tendenciosamente melancólico.
Porém não é mundo, nem utopia.
E sim uma verdade. Confinada, pura e exilada.
Hoje ela separa a tristeza da alegria.
Amanhã, lídima, unirá meus olhos ao coração.





Vitor Ventura