terça-feira, 15 de outubro de 2013

O âmago da vida

Não consegues perceber onde se encontras?
este é o enígma, o âmago da vida!
Aquilo que tudo em ti pode desfazer
ao instante que te faz erigir! 

Não sentes nos embaraços dos espelhos
Ideias que 'enrugueceram' e não as reconhecem mais?
Nem um traço da pureza de outrora,
Nem a dureza da entrega dos findos tempos porvir?

Finte nos seus olhos rudes redemoinhosos
um relance de tudo que foi e não regressa mais.

Ahhh coisa impiedosa!!
Roga-me pra voltar, quando adstringe-me sem perdão.

O que mais posso fazer se você já é a essência de mim mesmo?
De mãos atadas, só resta-me seguir.

Quando posterior, outro impiedoso zela-me.
Mas digo-o, sem medo! Eu tenho três certezas na minha vida:
Ela mesma, o tempo e a morte!!

Uma vida que é presa no tempo terno
Um Tempo Eterno que rege a Vida
E uma vida que não evade da Morte

Ohh âmago perfeito que aduze-me a finitude
Estafaria-me uma eternidade corrida
Espantaria-me uma brevidade sofrida
E me desapontaria a certeza da exata hora de partida!

És sábio!
És tudo!
Tudo em mim,
é o Agora!


Vitor "Bardo" Ventura




terça-feira, 21 de agosto de 2012

Liberdade

O amor não é tudo, pois tudo já se perde
Na imensidão relativa de cada ser.
O amor não é parte ou face de um estandarte.
A exclusividade impregna o mau poder.

Então, o que em mim basta é a liberdade.
Liberdade de amar, esta sim me traz prazer.
Pois então Morena, cante comigo: "Liberdade."
Sim, Liberdade!
Talvez se repetir te consuma de querer.
E a mim, a mesma vontade. Sem rima
Forma, métrica, fala, amor pontuação

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Vingança

Nas curtas páginas de sua vingança
Fez questão de mostrar sua sombra
Gesto feito para aterrorizar
Quem sempre esteve acostumado a amar

Para sua surpresa nada vi
Falei, ouvi ou percebi
Pois quando olhei só senti pena, dó
Nada pude ver se tudo era escuro ao seu redor

E você continuou na penumbra
Parada, estática, cega e muda
Apenas ódio, pavor, um completo nó
Dessa alma rasa, eu sei, só restaria o pó

E durante tanto tempo se embriagou de ilusão
Sem razão, aos poucos, matou sua terna paixão
Assim fez de tua vida uma breve parábola
Sem amor, sem sombra, sem nada.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

O Prazer é Todo Meu.

A primeira vez que eu te vi
Foram olhares perdidos
À margens de uma doce canção
Tentando explorar o desconhecido

Não existiram palavras suficientes
Naquela bela oração
Musicada de forma leve e sincera
Celebrada em comunhão

Só restaram sorrisos espontâneos
Admiração correspondida
Mas a hesitação foi tamanha
Que mais tarde, no adeus, não houve se quer despedida

Ficaram as lembranças e a esperança
De que tudo que é bom um dia volta
As perguntas certas encontrarão respostas
Antes que minha sanidade ávida de agora
Seja completamente retalhada em postas.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Realidade morta.

As pessoas pensam que o Sistema é um monstro que chegou aqui nesse planeta depois de uma viagem intergaláctica. A verdade é que o Sistema é um produto do homem, e sendo assim, se ele é ruim, é porque no fundo o próprio homem é essencialmente ruim. Pode parecer um tanto quanto pessimista, mas eu já perdir a esperança em nossa raça. Todo os dias nós nos decepcionamos com nós mesmo. Todo dia choramos com a desgraça alheia, porém todos os mesmos dias fazemos outros de nós chorarem pela nossa falta de trato e de amor.
É angustiante notar as pessoas querendo ver a mudança do todo sem nenhum esforço para fazer mudar as partes, a si mesmo. É angustiante você notar e comprar a idéia de o homem, em si, ser um animal com tendências ruins, corruptíveis, egoístas e intolerantes. Mesmo sendo uma espécie de tamanha evolução e dicernimento. É dificil porque ouvimos a vida toda o contrário, queremos acreditar no inverso, mas é só essa realidade que vemos, sempre.
Espero que em um determinado momento, cada um possa olhar para dentro de si, e perceber o quanto estamos e somos nocivos para nós mesmos. É o primeiro passo.
Que os religiosos busquem o melhor nas melhores palavras sagradas, no amor e nas qualidades que o Deus deixou em suas escrituras. Que não seja apenas da boca pra fora, que não seja até onde o interesse governa.
Que os não-religiosos ou ateus, como eu, busquem o melhor na auto-avaliação, na busca pela empatia e valores humanos do bom convívio e amor.
Eu, por enquanto, sigo em busca e caminho com a exceção.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Tiro curto!

Conheço essa apreensão no seu olhar
E por esta razão, esquivo-me deste seu
discurso utópico, morno e desesperado.
Pois não há palavras bem ditas
Nem poesias deveras bonitas
Vindas de um coração apressado.


Vitor 'Bardo' Ventura

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Compreenda-se

Muitas pessoas tentam interpretrar ou conceber a felicidade de outrem. Pessoas presas nas amarras justas e perniciosas da etiqueta social. Pessoas que apenas carregam o fardo do medo do fracasso, do medo de sua projeção à sociedade. E o medo não é virtude, não é proteção. Medo é fraqueza. Apenas isso. Mas essas pessoas insistem em reduzir a felicidade a uma prestação de contas. Porém a felicidade não é rasa para se exprimir em palavras, não é tão vaga para que se possa ser representada por diplomas e contra-cheques e tampouco vulgar para ser imitada, herdada ou absorvida por uma cultura coletiva, seja esta familiar ou não.
A felicidade é uma energia. Ela é notada através de um sorriso, um olhar, um gesto... A postiça é aquela que chega com palavras que parecem facas vestidas de fantasmas bizarros feitos de lençóis brancos encardidos.
Então invente sua própria história, se for possível diga não aos modelos padrões que te vendem por ai. Diga não a cultura injetada na sua cabeça feito um chip alienígena em uma abdução de filme de ficção. Procure o que há de verdade dentro de si, e se pergunte se o que te faz sorrir é o que realmente te faz feliz. Este sorriso é mesmo seu ou de outro alguém?
Aprendi a entender o que é alívio, aprendi a respeitar o prazer intrínseco do semelhante e a seperar a obrigação da satisfação.
Mas para respeitar o meu tempo e o seu, o questionamento mais importante é: Você tem a real concepção da felicidade ou está apenas prestando contas?